quinta-feira, outubro 23, 2008
Pizza e vinho
Árvore secular
Vento brincando com meus cabelos.
O dia se desfez em gotas de uva envelhecida
Língua azul
Taça saindo à surdina.
Leve cambalear pelas ruas
No chacoalhar do ônibus
Tino pra equilibrista
E o olho já vê mais longe
Bochechas dormentes
Sorriso gratuito.
Cores, cores, cores mis
Cheiro de salitre
Ruas e carros e pessoas.
Meu mundo parou
E pairou
À parte de todo o resto
E não é isso o que importa?
quinta-feira, outubro 02, 2008
Direção
Um mapa e uma bússula
Ou nada disso
Posso seguir o sol, o vento e as estrelas
E se ainda assim não der
Fecho os olhos, coloco o pé na estrada
E sigo as batidas do meu coração
Três destinos e um sonho de felicidade
Um cajueiro
No sertão e em arembepe.
Linhas de outro mundo
Por Tertuliano Máximo Afonso e Fernão Capelo Gaivota.
Três destinos: Brasil, Mundo e França
E um único sonho de felicidade
terça-feira, setembro 16, 2008
Entre viagens
Sem muitas certezas
Com muitas esperanças.
Estava indo na direção errada de onde eu quero passar
Estava precisando ver outras paisagens
Sentir outros ventos.
Não penso em chegar,
Apenas seguir por aí
Me sinto em casa com minha mochila nas costas
Me sinto à vontade me reconstruindo a cada momento.
Hoje estou na estação
Entre um ônibus e outro
Tomando chá e conversando sobre a vida.
Tentando descobrir nos destinos
Meu roteiro de viagem.
Apenas aguardando o momento certo de embarcar
Até a próxima estação.
segunda-feira, agosto 18, 2008
Em Marizá a vida acontece macia
Nada do que havia aprendido antes servia lá.
Era tudo mágico, simples e completo.
Era tudo como tinha que ser.
Era intuição.
Respeito.
Eram ciclos e ritmos internos.
Foi uma viagem longa e profunda pra dentro de mim.
terça-feira, agosto 05, 2008
Samba pra você
Esse samba é pra você
Esse samba é pra falar
Esse samba é pra tentar
Alcançar seu coração
Esse samba é meio assim
Vem de dentro, vem de mim
Vem tentando te achar
Vem chegando devagar
Vem sorrindo até chorar
Esse samba é pra nós dois
Pro que fomos num depois
Esse samba é pra chegar
Vem assim sem perguntar
Vem entrando pra valer
segunda-feira, agosto 04, 2008
T. A.
Eu amo ele.
De um jeito que só eu sei.
De um jeito que me faz bem.
De um jeito que...
Do meu jeito.
Eu amo ele.
Amo seu sorriso e seu abraço.
Amo sua euforia e seu desabafo.
Amo cada parte de sua alma.
Eu amo ele.
Muito, muito e sempre mais.
Ainda que na distância.
Ainda que na impossibilidade de sermos.
Eu amo ele sim.
Eu amo ele assim.
Eu amo ele assado.
E só eu sei o que isso significa pra mim.
sábado, agosto 02, 2008
quarta-feira, julho 30, 2008
E de repente, o telefone não tocou. E nem tocará.
E de repente,
Minha dor que era grande fica pequena
E minha calma pequena fica gigante.
Talvez esteja tudo sendo exatamente como deveria ser.
Cada pausa de cada vírgula
Cada ponto de partida de cada ponto final.
E como num grande espetáculo, as luzes se acendem
E o picadeiro vazio se enche de aplausos.
Da janela, o desespero se despede da vida
Na cama, a alegria se despede da tristeza
E o que era saudade
Deu três pulinhos e sentou no sofá da conformação.
Tudo do jeitinho certo
Que só em momentos assim vejo com clareza.
Afinal, bolas de soprar à parte
Tem muito mais graça viajar de balão que de jatinho
Para o paraíso de lá adiante.
Não precisa ligar que eu não ligo.
Foi ligando que eu me liguei
Que é só não ligar para os momentos em que me falta chão
Que o chão aparece.
Passado o maremoto,
Tudo volta pro seu devido lugar de agora
Que não é o de ontem
Nem o que seria o de amanhã...
Mas quem disse que o trem pára só porque saltamos na estação errada?
Errada?
segunda-feira, julho 28, 2008
domingo, julho 27, 2008
Sendo assim...
Se você soubesse
Como queria que tudo fosse diferente
Como eu queria estalar o dedo
E fazer tudo fazer sentido e tudo funcionar entre nós.
Como eu acreditei que nosso amor seria para sempre
Como eu acreditei que nosso amor estava acima de tudo
Como eu queria passar minha vida ao seu lado
E ter meus filhos com você.
Como eu quis tudo isso e ainda mais.
Como eu te odiei por ter partido
Como eu te agradeci por ter partido
Como tudo é tão ambíguo e fugaz...
Como eu nunca imaginei outra vida
E agora agradeço por tê-la
E choro por não te ter ao meu lado.
quinta-feira, julho 24, 2008
Parte de mim
O presente se consolidou
Sem passado ou futuro.
O que era para ser, estava sendo
E do mesmo modo macio que veio
Ficou e se foi.
O som das ondas do mar ao fundo
E o sol se perdendo entre o manguezal.
O silêncio à explicar tudo o que se passava.
Tudo Passou.
E tudo ficou como parte de mim.
segunda-feira, julho 21, 2008
À deriva - I
E no meio da minha viagem
O vento parou de soprar.
Eu, despreparada maruja,
Não tinha sequer um motor de popa.
Me vi então assim à deriva no meio do mar.
A bússola do meu coração me dizia
Que a correnteza estava me levando pra direção errada.
Remos a postos, me pus a remar.
Foram dias e dias a fio
Tentando retomar minha rota.
Meus braços já não me obedeciam
Minha cabeça doía
E meu coração-bússola soluçava desconsolado.
Como rezei por um vento forte
Que me fizesse voltar pro meu caminho...
Em vão.
Maré morta.
Sem vento.
E eu morrendo a cada dia.
Não me faltava água ou comida
Me faltava esperança...
Não era possível que isso estivesse acontecendo.
Foram tantos anos preparando a viagem
Eu já estava tão perto do cais...
E agora lá estava eu
Maruja de primeira mão
Sem sequer saber mudar a direção da vela
Entregue aos próprios monstros e fantasias.
Não adiantava soprar a vela.
Minha viagem já havia mudado de rumo.
Meu coração-bússola, desnorteado, batia descompassadamente.
Era o fim de um final feliz romântico a dois.
Era o início de uma história de aventura à sós:
Eu comigo mesma.
À deriva - II
E numa dessas tentativas de retomar a rota,
Soprando insanamente a vela do barco,
Meus olhos vacilaram e a paisagem os enfeitiçou.
Só então pude parar de olhar pro barco
Pra vela, pros sonhos, pras dificuldades
E pude olhar ao redor.
Vi um céu mais que azul
Vi um mar multicor
Fechei os olhos e senti a brisa.
Mas então estava sim, ventando!
Abri os olhos num impulso brusco de continuar minha jornada.
Não senti mais nada.
Fechei os olhos novamente
E lá estava a brisa, a acariciar-me o corpo.
Levei algum tempo para entender.
Na verdade acho que até hoje
Não entendo muito bem...
Mas quando não há nada a fazer
Só se pode deitar na proa
E deixar que a brisa brinque com os cabelos...
E foi assim.
Durante muito, muito tempo.
Fiz das estrelas minhas companheiras
Do mar, meu confidente
Do amor perdido, meu bálsamo encantado
E do tempo... Ah, do tempo:
Meu grande mestre amigo
Que em seu silêncio
Me disse mais que qualquer aglomerado de palavras.
segunda-feira, julho 14, 2008
Que isso vire poesia
Minha vida já está cheia de meio-tempos.
Meias tardes perdidas,
Meia vida vivida,
Meia calça escondida.
Me converto e de repente viro uma pervertida.
Sem mas, porém nem todavias
Por todas as vias que eu ainda hei de passar.
Mundo grande, vida grande
Tudo grande num corpo pequenino
De enormes prazeres.
De cada folha, hei de ser o chá
De cada grão, hei de ser o chão
De cada nada, hei de ser o tudo
Que me pertence e que vai e vem em vão.
Nesse vão vazio de pensamentos
Onde bailam ininterruptamente dor e alegria.
Se não se tem um grande amor na vida
Que pelo menos isso vire poesia.


