sábado, setembro 22, 2007

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Nunca serei o absoluto.
Vacilo entre as relatividades de mim mesma.

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Quantas vidas poderiam caber em mim?


Esse desatino que me persegue

É o mesmo que me cala.

Quando recuar é avançar?

O céu se abre azul por detrás de minha cortina amarela.

Nunca quis ter vida cor-de-rosa

Só se fosse com carvão

Ao som de Marisa que já me embebedou aos montes.

Mas acho que nem assim.

Cores.

Dores.

Sortes mil nesse céu espetacular.

É tanto mundo, é tanto chão, é tanta vida

É tanto cheiro, é tanto gosto, é tanta coisa!

Ai, meu deusu!

Por que diabos sou só uma?

Parece-me impossível a completude

Quando tudo é parte de um todo

Que se reparte em minúsculas partes espalhadas por aí...

Quantas vidas poderiam caber em mim?

domingo, setembro 16, 2007

Ergo-me água fresca

Sim

Acaba tudo assim
De volta e sempre em mim

Deslizando feito água fresca em minha boca

Tô na boca de lobo

Espreitando por entre as ramificações de minha alma

Dias claros, vento brando

Tropeço assim em minhas certezas

Ergo-me, intacta, majestosa

Pronta pra próxima lágrima

Que venham todas!

- em doses homeopáticas, por gentileza –

E na dança do tempo,

Cambaleio suavemente

De lá em lá

De cá em cá

Sem maiores previsões

Sem maiores expectativas

Apenas vou

Sigo

Suspiro.

sábado, setembro 15, 2007

eu

Tá na cara de mim

Tá na cara, tá na alma

Tá em tudo que é de bom em mim

Tá até na amargura e nos vazios que me compreendem

Tá estampado no corpo, na pele, na aura

Tá bem dentro e tão acessível

Faz sentido, faz sol e arco-íris também

E até nos dias de chuva é tudo tão claro

Água cristalina

Mar transparente

Rio translúcido

E de tão bom e tão bem

Não há do que se queixar

Saudade é tempero, não machuca

Choro é passageiro, não inunda

Riso é fértil e aduba os dias

Tá estampado nos dedos já tão enrugados

Tá tatuado no sonho de harmonia

Tá tudo aí, bem debaixo da sombra

Diante do nariz

Dentro de mim

Tá tão assim.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Muitas eternidades

Amo.
Com cada poro e aura de meu corpo
Com cada riso e lagrima
Amo.
Te.
Muito.
Com cada pedaço de meu ser
Com toda minha existência
Inocência.
Indecência.
Incoerência.
E por não saber não te amar
Questionar seria inútil e vago.
Nunca quis aprender a te esquecer.
Dói pensar-me sem você por dentro.
Choro você não estar ao lado.
Mas é momento.
E meu amor vale muitas eternidades...

quarta-feira, setembro 12, 2007

Chega dá gosto rimar

Um por dia e assim eu vou

Sem muito mistério de padaria

Sem pão de feitiçaria

A rima me toma de um jeito

Que de feio, um dia já desisti de rimar

Mas hoje ela vem meio que sem licença

Corre, pula e adentra

Todo e qualquer lugar


É sentimento de tudo que é jeito

Espalhado por aí a migué

E ela vem de qualquer maneira

Adentra o peito e toma a forma que quer


Fala de amor, de carinho e de birra

Canta a esperança à moda antiga

E eu, feito boneca mole, me ponho a dançar


Mas eu bem que gosto, seu moço

Que ela vem fazendo aquele alvoroço

Que chega dá gosto rimar

terça-feira, setembro 11, 2007

Dou minha cara a tapa e tiro meu chapéu

Como escrever é verbalizar os sentidos

Fico no silêncio da inexatidão

O que não está fora não é

E o que não é, não dói

Malabarismo de ilusão.


Interfaces, entre faces, em ti faces

Como se o proibido corresse de mim

Em mim, para mim

E todo o ciclo infindando com o pôr-do-sol


Deixo-me a flor mais perfumada de fim de tarde

Deixo-me o mar gentil de mei’ de dia

Deixo-te e deixo-me rastro de eternidade


Não sei como seria e nem ao certo como ainda é

Não sei se venceria toda e qualquer maré de fé

Não sei, mas como saberia o que era e o que é?


E nesses tropeços de concordâncias

In-acertanças mil

Corro pra lá, volto pra cá.

Quando menos me espero

Mais me impressiono

E cogito o de sempre lá intacto

Tantas verdades soltas ao léu...


E eu, de refém viro réu

Fazer o quê?

Dou minha cara a tapa e tiro meu chapéu.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Eu sempre quis ser assim: Palavras...


Eu sempre quis ser assim: palavras. Palavras doces e macias. De construção. “Palavras são prata, silêncio eh ouro”. Deixo o ouro para os tolos, que eu de tola já sou demais. Para que ouro? Uma cabana a beira-mar... amar... E so isso... apenas isso... Me alimentar do por-do-sol, me cobrir com o céu de estrelas. Sou tão simples e tão complexa que me perco em mim mesma e de mim mesma algumas vezes. Não espero pelo entendimento alheio. Sentada já senti minha bunda adormecer. Agora caminho. Palavras... Intensas. Já cuspi mais fogo que dragão e com um simples abraço virei manteiga derretida. Tolos os que ainda não sabem lidar comigo. Não me vendo por dinheiro nenhum nesse mundo. Um simples sorvete me compra fácil, fácil. Eh tudo uma questão de significados e significâncias. Nunca serei o absoluto. Vacilo entre as relatividades de mim mesma. Tantas verdades. Ate as menos verdadeiras... mas nunca mentiras. Roubar, trair, matar, humilhar... Não! Essa não sou eu. Essas palavras não fazem parte de meu corpo-palavra. Sou justiça passional. Uma completa inteligencia irracional. Quem me entende são os que me sentem. So assim para mergulhar nesse lago de águas cristalinas. Na verdade mar. Que se renova a cada ciclo da lua. No meu caso, as pílulas fazem esse controle (descontrole) hormonal. Nunca pensei que fosse ter TPM, mas adivinhe? Pois eh. Meus olhos viram mangueiras de emoção. Patético. Esteticamente hilário. Outro dia quando me dei conta estava chorando convulsivamente. Algo insignificante detonou uma dinamite de emoções. Caí na gargalhada qd peguei a cartela de anticoncepcionais. Eu realmente estava “naqueles” dias. Os homens nunca vão entender o que isso significa. Hormônio eh arma perigosa. Mata mais que arma de fogo. Sempre soube que a gravidade um dia me faria voar. Tantas leis que nos cercam que a mais importante fica de lado: a lei da Natureza. Essa nunca falha. Eh justa e coerente. Implacável e cruel, por vezes. Mas sempre gira em torno de um bem maior. Do funcionamento universal do todo. Eh ai que nos perdemos. Quando o “bem estar” eh associado ao bem estar individual. Tsc, tsc, tsc... Tolinhos os que acham que o mundo ainda eh quadrado e que o horizonte se despenca numa imensa cachoeira. Sigo os passos da dança. Aprendi que nadar contra a correnteza eh antecipar a derrota. Temos que achar o “canal”. Eh la, onde a correnteza eh branda, que as mais sutis vozes se fazem ouvir. Porque palavras faladas de coração para coração nunca são mudas. Sempre mexem por dentro, sempre fazem sentido. Acho que se meus pensamentos virassem um livro, teria que ser um livro de criança. Um livro de ninar. Os pequenos tem uma sensibilidade tão grande. Deveríamos todos aprender a encolher em vez de ficar ensinando a eles a crescer e esquecer. Esquecer o que temos quando somos criança... esse não-sei-o-que que faz tanto sentido e eh tão puro e bom. Ah como essa batida de atabaque, esse dedilhar no violão, esse embalançar de rede me fazem bem. Seja samba ou bossa nova... Reggae ou MPB... Musica, ah a musica... Palavras dançando ao som da melodia. Poesia viva, em movimento. Mas... afinal de contas... quem sou eu? Se minhas palavras-prata não conseguem dizer, talvez o meu silêncio-ouro se faça entender.

terça-feira, junho 13, 2006

Respeitável Público


(desenho: Ray Respall Rojas)


Respeitável público, sejam bem-vindos à janela de minha alma. Sejam vocês provindos do setor público ou privado, das multinacionais ou das mini-internacionais, das grandes ou pequenas empresas. Porque no meu mundo, o que se faz é só o que se faz e não o que se é. Venham para ser. Venham para vestir a camisa da verdade e aposentar as máscaras que só nos mascaram e confundem. Afinal, quem somos no fim das contas? O poeta que sorri ao ver uma criança correndo atrás de uma bolha de sabão? Ou o contador de moedas de uma riqueza infinita? Qual das riquezas é a mais rica? Qual delas é a mais duradoura?
Pois que venham todos. De todos os cantos do mundo, de todas as opiniões e medos. Eu NÃO tenho razão! Estou aqui para dividir as perguntas e não para dar respostas. Estou aqui aqui para dividir sons e cheiros e cores. E não para avaliar desejos. Pois que entrem sem máscaras. Tentem apenas dar os passos com as próprias pernas, sem qualquer tipo de bengala. Engatinhem se preferirem. Venham como puderem, como quiserem, quando for possível. Mas venham! Estarei sempre a espera de vocês. Com meu chapelão colorido e meus pés a pisarem o chão. Vivo num mundo onde o ter é verbo existente, mas secundário. Onde o TER não faz nada, apenas acompanha o que lá está. O que lá É. O espetáculo é muito mais que um show de ilusionismo, é uma experienciação dos sentidos (perdoando minhas analogias, que apenas tentam juntar em letras minhas sensações). Apenas se permitam ao novo, sem julgamentos ou pré-definições. Nasçam hoje. Façam do dia de hoje, só por hoje, o primeiro dia de suas vidas. Assim vocês poderão ver, tocar, sentir, cheirar, degustar e ouvir cada pedaço de vida, cada fração imensurável de tempo. Sejam muito bem vindos ao mundo das minhas palavras-sonhos!

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domingo, abril 02, 2006

Palavras

As palavras hj vêm mansas pelas minhas mãos. E vêm por nunca poderem parar de vir, por me pertencerem, por eu ser delas. Por termos esse silencioso pacto de entendimento, de aceitação, de não julgamento. Por eu poder ser eu e elas, elas; e estar tudo bem. Amigas de longas datas, nós. Desde os tempos de criança quando elas vieram em forma de poesia. Nunca me esqueço da lagartixa, ou da estrela, os dos espinhos de uma tal rosa. Me lembro que ainda muito pequena, na minha boa e velha Escola Girassol, tínhamos a semana do livro. Ai como eu me deliciava! Ia em todas as barracas, olhava os atlas, os livros de história, os jogos... Mas teve antes também. Antes das poesias ou semanas do livro. Me lembro de "Lúcia já vou indo", que nunca chegava a tempo coitada. Me lembro de uma viagem pela floresta onde atravessei um rio nas costas de um jacaré. E "Tereza, mania de limpeza", como me esquecer das infinitas tardes (ou manhãs) em que acompanhava sua odisséia em meio às bolhas de sabão e esfregões ao redor do mundo? E eu sempre com meu copinho de açúcar mascavo a tiracolo.

As palavras... Temos uma longa jornada juntas. Muitas histórias e contos e fadas e sonhos e choros e euforias e tudo o mais que elas podem fazer brotar dentro da gente. O mundo dos livros. Que mundo de sonhos! Que mundo fantástico! Que nos faz ser mais, um pouco além. Que nos leva loooooooooooooooooonge.

E cá estou eu: longe. E as palavras sempre por perto.

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sexta-feira, março 17, 2006

Parei
O dia vem no Tic-Tac incessante do despertador
O Sol até que tenta vir manso
Mas os minutos pedem pressa.
Em 5 minutos, o que era horizontal se verticaliza

E a vida segue o corre-corre
E sempre falta algo a se fazer
E a alma sempre pede mais
E o inalcansável é a meta

Parei.
Ouvi todos os carros buzinarem pra mim
Mas saltei.
Porta aberta, rua congestionada
Palavras impróprias para menores
Tudo isso porque o relógio corria
E eu parei.


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sábado, janeiro 28, 2006

Laugh

*substantivo: risada, gargalhada - o resultado da tentativa de seus lábios tocarem as orelhas

*verbo transitivo indireto: rir de, gargalhar por - algo acontece e vc ri; rir de si mesmo; achar motivo para, ou ser achado pelo motivo; acontecimento instantâneo

*verbo intransitivo: Rir! Gargalhar! - espontâneo, incontrolável, contagioso - ocorre do nada, sem motivo que não sua imaginação, sua sensibilidade, sua percepção de ver além dos acontecimentos

*sentido figurativo: se embolar no chão; fazer a barriga doer e ainda continuar rindo; não sentir mais as bochechas; precisar sentar pra não cair; romper o silêncio com a alegria da vida; quebrar o gelo; sacodir os braços como numa tentativa de voar; tremer o corpo compulsivamente.

*benefícios: relaxar os músculos; melhorar o humor; descomplicar a vida; transpor obstáculos; enxergar além das dificuldades; melhorar o sistema imunológico; fortalecer o tônus muscular; achar saídas; voar nas alturas; tornar-se leve; limpar a mente; revitalizar o corpo e a alma.

*recomendações: SEMPRE! POR TUDO! Bem vindo em qualquer ocasião, desde que sincero e altruísta.


ACREDITEM: Essa é a melhor escolha prá se ter QUALIDADE DE VIDA!


Dê uma boa risada hoje!

Se não tiver motivos, seja criativo: INVENTE-OS!!!


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terça-feira, janeiro 24, 2006

Caminho

Sapateado na cauda de um piano-de-cauda. Especialmente pra Sólon - o piano - mas inspirado em Chicago - o sapateado. Na verdade, em Vitor Freire. Ele ainda não tem livro, mas já é meu segundo amigo bibliografia. A primeira foi Cupêco (vide Renata Trindade Rocha).
Não me esqueço nunca daquelas nuvens. Aquelas que, cansadas de serem brancas, esperaram o nascer de um novo dia para nascerem coloridas. Ou resolveram suicidar-se explendorosas no pôr-do-sol. Um brinde de vinho branco às fabulosas nuvens multi-cor.
As estradas por onde passo são bonitas. São seguras. São tranqüilas. Mas hoje quase entro em pânico por causa dos concretos que as margeiam. Sou Claustrofóbica. As minhas estradas que construo e sigo são bonitas, porém nem sempre seguras, nem sempre tranqüilas. Mas não tenho medo delas: confio em mim. Não coloco concreto delimitando-as. Elas são como as nuvens: nascendo coloridas, suicidando-se explendorosas. Gosto de deixar meus pensamentos virem, irem e virem diferentes... ou iguais. Não me importo muito em querer colocar o tempo num vidrinho de amostra de perfume. Seja ele francês ou made in Lapa. O (meu) tempo é claustrofóbico. Descobri isso no dia que quase o matei por inocência (tive as melhores das intenções). De boas intenções o mundo está cheio. Pena que tantos tenham parado nesse primeiro passo. Estou começando a malhar minhas pernas para dar o segundo, depois de 23 anos. Meu tempo é macio comigo. Ele sabe que nem sempre sou esperta. Mas ele sabe que eu tento. E que eu sou só amor.
Tudo bem... assumo: às vezes sou também um pouco rancor. Mas nada que não seja reversível com um simples sorriso e um abraço. Ainda não recebi alguns abraços. Ou não pude sentí-los, talvez. Não existe uma verdade absoluta. Eu tento, mas às vezes é difícil ver a verdade do outro.
Confio no meu taco, na minha mira, no meu sexto sentido, na minha intuição. Confio no meu coração, confio na minha razão. Eles andam em linhas paralelas, sempre de mãos dadas, aos beijos e abraços.
Um dia me vi apaixonada por mim e me perdoei. Me perdoei por todas as dores que eu trazia no peito. E hoje quase não dói mais. Bem... O passado não, mas o futuro, em partes. Só se eu fosse mil pra caber dentro de mim. Mas sou só uma e carrego o mundo inteiro na barriga. Resolvi tirá-lo das costas, estava ficando corcunda.
Um dia vou parir MEU MUNDO de dentro de mim... Por enquanto estou gestando. Estou grávida de sonhos. E pouco a pouco, um a um, vou parindo minha prole. Um dia sai uma pessoa de verdade. Mas só depois. Daqui há muitos e muitos dias, meses e anos. Vou mostrar-lhe o mundo meu que eu tirei das costas, pus na barriga, gestei e pari. Vou mostrar as cores, as formas, os cheiros, os gostos, os arrepios, o mar, a vida. Vou mostrar-me por dentro e por fora, entranhas e pele, sangue e suor, sonhos e sorrisos. E vou me desfazer e refazer-me a cada dia. Sem medo de minhas mortes e de faxinas nos armários. Sem medo de perder, de me perder, de perder o rumo. O vento sempre dá uma direção. O mar sempre desponta no horizonte. O ciclo sempre continua. Um dia eu vou e por lá ficarei. De mim restarão lembranças no coração dos queridos e esperança no coração dos desconhecidos. Pra isso estou aqui. Esse é o meu caminho. Da Mãe Terra eu nasci, prá Mãe Terra voltarei.
Uma vez li em Rubem Alves: se deus tivesse pedido minha opinião antes de criar o mundo, com certeza o mundo seria melhor.

Com certeza.
Com certeza imperfeito.
Com certeza bem melhor.

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terça-feira, janeiro 03, 2006

5 minutos pra um novo ano
E lá estava eu. Em frente a igreja mas de frente pra imensidão daquele parque branco. Havia muito silêncio e muita paz. Havia neve, tímidos flocos de neve, caindo do céu.
E foi assim que começou meu ano de 2006.
E ele cheira a sucesso!
Sim, tenho figas e Darwin para me protegerem do inusitado.
Tenho jogo de cintura.
Tenho Nanã e Ogum olhando por mim. E Iansã sempre por perto.
Tenho fé no amanhã.
Acredito nas pessoas.
Luto por um mundo melhor.
Choro quando o choro vem. E choro muito. E choro tudo. E choro o mundo.
Rio. Sempre. De mim. Da vida. Por tudo.
Caminho descalça.
Olho tudo ao meu redor.
A cada dia tiro mais um tijolo dessa parede que delimita minha janela.
Quero uma casa no campo, na praia.
Quero minha mãe natureza.
Quero olhar por ela. Assim como deveria ser. Assim como todos os seres vivos fazem.
Quero aprender.
Quero questionar.
Quero soluções.

EU FAÇO PARTE DA SOLUÇÃO.

E VOCÊ?

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quinta-feira, novembro 24, 2005

Repudio e Prazer

Muito estranho.
Estou diante de um prato de verduras. Pensem num prato estranhamente delicioso? Pois, eh... Estou diante dele. Das 5 ou 6 verduras que o compoem, so conheco pimentao vermelho, picles e tomate. Nao sei nem pra onde vao as outras. E creiam: o prato tem uma cara BIZARRA! Mas vamos la, resolvi dar uma chance a ele. Foi preparado com tanto carinho, ta todo mundo se deliciando, nao deve ser tao ruim assim. Fechei os olhos, respirei fundo e.... me arrisquei. E gostei. Eh estranhamente gostoso. Essa cara feia que ele tem ainda me intriga. Eh so olhar que quase desisto de comer. Esses meu pre-julgamentos ainda me matam! Nao tem jeito. O remedio eh de novo fechar os olhos, respirar fundo e me deleitar nesse estranho prazer de me deliciar com o que os olhos repudiam. O que o olho nao ve, nem o estomago sente...

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sábado, novembro 05, 2005

Homenagem a meus pais

Se a saudade bater,
Nao sei se abro a porta
Ou me jogo pela janela.

Escrevi isso a anos atras. E hj sei lidar tao bem com a saudade. Uma das coisas mais importantes que aprendi foi: o que importa eh estar do lado de dentro. E fico feliz pelo monte de gente que esta do meu lado de dentro, em minha historia, em minha memoria, em meus pensamentos positivos. Sou um pouco exigente, eu sei. Talvez carente por demais, as vezes. Mas por tudo que sou agradeco a todos que um dia ja conheci na vida. E agradeco muto, mas muito mesmo, a meu pai e a minha mae. Eles me deram a base. E me deixaram livre para eu molda-la a meu gosto. Muito boa essa sensacao de PODER FAZER.

Agradeco a meu pai pelo incentivo de encarar a vida. A confiar em mim e a pensar rapido. A entender o mecanismo das coisas, a logica e o funcionamento de tudo. Agradeco pelas infinitas conversas sobre tudo. Por sempre estar ali pra mim, mesmo que contrariado, chateado, desesperado e todos os ados que eu pude ter trazido em minha adolescencia. Oh fasezinha dificil, hein?

Agradeco a minha mae pelo cuidado, dedicacao e pela atencao de sempre. Por tambem estar sempre la pra mim, mesmo que tao contrariada muitas vezes. Agradeco por ter me ensinado a olhar para o outro, a entender o sentimento do outro, a ser mais paciente comigo, a me amar mais. Obrigado por me re-apresentar a mim. Obrigado por ser tao sincera comigo e principalmente, consigo mesma. Obrigado por nunca esquecer de mim e sempre vir com mimos. Obrigada por olhar pra mim.

Meu pai e minha mae. Muito obrigado, mais uma vez e sempre. Minha honestidade e carater sao espelhados em vcs. Claro que tenho muita coisa torta. Muita coisa que estou e vou mudar ao longo do meu caminho. Mas tudo de mais puro e essencial que tenho, agradeco a voces. Um balanco entre o medo e a coragem. O sentimento e o raciocinio. O escancaro e o contido. O sustenido e o bemol (me fazendo valer da musica Catavento e Girassol). Dois completos opostos que encontraram harmonia no amor que deram pra mim. Dois exemplos de caminhos distintos que eu poderia seguir. E eu escolhi o do meio. Escolhi o equilibrio entre essas duas formas tao lindas de me amar.

E sim: EU SOU FELIZ. Podem encontrar a paz que todos os pais precisam: vcs foram bons pais. Otimos pais. Fizeram o que puderam, como puderam, da forma que sabiam fazer. E eu agradeco. Muito. Por tudo.

Amo muito voces.

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sábado, outubro 15, 2005

ROSEIRAL

E ali eu sentei e chorei.
Pela primeira vez em minha vida,
Eu estava no meio de um roseiral.

Sol de outono,
Ali eu sentei e chorei.
Talvez nao o choro do corpo,
O choro da alma.

Sempre imaginei como seria estar num roseiral
E la estava eu
Sentada na grama
Pes descalcos
Sol na face e nos cabelos
O vento a brincar com eles
Com as folhas,
E com as rosas:
rosas, amarelas, vermelhas, brancas
Grandes, pequenas
Desabrochadas e aos botoes.

Ceu azul como a muito nao via.
Grilos e carros ao horizonte
Fazendo a melodia do instante.
Nada poderia me alcancar ali.

E la estava eu sentada
Chorando o choro da alma
Com o sol a se por detras da ponte
Sempre quis entrar num roseiral
E la estava eu
Ouvindo o vento me dar boas vindas.

sexta-feira, outubro 14, 2005

sAssumo: cai na tentacao da carne
Um prato de macorronada,
Molho pronto e queijo parmesao de supermercado.
Quatro quilos a mais de alma.

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E esse amor que transborda de mim afoga toda e qualquer magoa.
Coisas pequenas nao cabem em sentimentos grandes.

***

Ainda estou a pensar se prefiro baleias ou sereias.

***

Pronto. Decisao tomada. Agora apenas 3 refeicoes diarias.
Nada de guloseimas nem guludice.
Tudo na medida certa para sair da medida errada.

***

Armario aberto: caixas povoando as prateleiras.
Freezer aberto: dois suculentos sorvetes a me observar.
Geladeira aberta: algumas timidas e raras frutas para me salvar.

***

Nao eh porque a alma transborda que o corpo tem que acompanhar seu caminho.
Coisas eterias nao devem se confundir com coisas materiais.
Mundos distintos. Padroes divergentes.
Espelhos que, infelizmente, nao mentem.

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quarta-feira, outubro 12, 2005

Biólogo não come, degusta.
Biólogo não cheira, olfata.
Biólogo não toca, tateia.
Biólogo não respira, quebra carboidratos.
Biólogo não tem depressão, tem disfunção no hipotálamo.
Biólogo não admira a natureza, analisa o ecossistema.
Biólogo não tem reflexos, tem mensagem neurotransmitida involuntária.
Biólogo não transa, copula.
Biólogo não fala, coordena vibrações nas cordas vocais.
Biólogo não pensa, faz sinapses.
Biólogo não toma susto, recebe resposta galvânica incoerente.
Biólogo não espera retorno de chamadas, espera feedbacks.
Biólogo não se apaixona, sofre reações químicas.
Biólogo não perde energia, gasta ATP.
Biólogo não divide, faz meioses.
Biólogo não faz mudanças, processa evoluções.
Biólogo não falece, tem morte histológica.
Biólogo não deixa filhos, apresenta sucesso reprodutivo.
Biólogo não deixa herança, deixa pool gênico.
Biólogo não tem inventário, tem hereditário.
Biólogo não deixa herdeiros ricos, pois seu valor é por peso vivo.